Resposta direta: procure avaliação quando a dificuldade para iniciar ou manter o sono, ou o despertar antes do horário desejado, persistir e afetar o dia a dia. No consenso brasileiro, a insônia crônica envolve sintomas pelo menos três vezes por semana durante três meses ou mais, com repercussões diurnas.
Autor: Flávio Henrique Barbosa — MÉDICO, CRM-DF 14908.
O que caracteriza a insônia crônica?
As queixas podem incluir demora para adormecer, despertares durante a noite ou acordar mais cedo do que o desejado sem conseguir voltar a dormir. O critério de frequência e duração ajuda a caracterizar a insônia crônica, mas não substitui avaliação profissional. Cansaço, redução de energia, dificuldade de atenção e alterações de humor podem acompanhar o problema. A avaliação deve considerar a história do sono, a frequência, a duração, os hábitos e fatores de saúde relacionados.
Ter uma noite ruim de vez em quando não significa, por si só, que a pessoa tenha insônia crônica. Sintomas persistentes ou com impacto importante podem merecer investigação mesmo antes de preencher um critério específico.
Quando procurar um médico especialista em sono?
Converse com um profissional quando as dificuldades forem recorrentes, causarem sofrimento ou atrapalharem trabalho, estudo, atenção, humor ou outras atividades. Também é importante contar sobre medicamentos em uso, condições de saúde, horários de sono e outras queixas, como ronco frequente, pausas respiratórias percebidas ou sonolência intensa.
O diagnóstico é clínico e depende de uma avaliação individual. Não é seguro concluir que toda dificuldade para dormir seja insônia crônica nem iniciar, alterar ou suspender medicamentos por conta própria.
Como a insônia pode ser tratada?
A terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I) é uma abordagem multicomponente recomendada pela AASM para adultos com insônia crônica. Ela reúne estratégias cognitivas e comportamentais e deve ser conduzida conforme avaliação e plano individual. A disponibilidade desse tratamento na clínica não está confirmada nesta página; pergunte à equipe se precisar de informação local.
Medidas gerais de higiene do sono podem fazer parte da educação, mas a diretriz AASM sugere não usá-las como tratamento isolado para insônia crônica em adultos. A conduta adequada depende da história, de possíveis condições associadas e das necessidades da pessoa.
Veja também as orientações gerais sobre hábitos de sono. Para informações sobre atendimento, acesse a página de Contato.
O que levar para a avaliação?
Pode ser útil anotar por alguns dias os horários em que você se deita e levanta, os despertares percebidos e como se sente durante o dia. Leve a lista de medicamentos e informe mudanças recentes na rotina ou na saúde. Esse registro não fecha diagnóstico, mas pode ajudar a conversa com o profissional.