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Medicina do Sono

A Medicina do Sono

Há séculos se pesquisa sobre sono. As prateleiras estão abarrotadas de livros e artigos científicos que resolvem praticamente todos os problemas do sono. Quem, porém, sofre de distúrbio do sono continua sem poder se beneficiar da pesquisa.

O médico do sono faz diagnóstico com base principalmente nos sintomas. Mesmo os exames auxiliares, como os de bioquímica e imagem, rendem pouco porque o sono não está localizado em um órgão. A polissonografia é o método que o médico do sono deve entender. A história clínica, contudo, pode, em certos casos, suplantar a utilidade da polissonografia.

Em geral, por serem queixas tão comuns, insônia e sonolência passam por “normais”. Dar a devida importância a esses dois sintomas pode ser um dos aspectos mais inovadores da medicina do sono. A falta e o excesso de sono são sintomas tão legítimos quanto a falta e o excesso de urina e causam tanto sofrimento quanto a dor da lesão de um atleta ou a intoxicação de um trabalhador.
Uma característica da medicina do sono é a multidisciplinaridade. Essa é uma tendência moderna em várias áreas do conhecimento. A medicina do sono nasceu multidisciplinar, pois se pode abordar o sono a partir de inúmeras perspectivas. Por exemplo, a síndrome das apnéias obstrutivas do sono envolve pneumologistas, neurologistas, otorrinolaringologista, cirurgiões, fisioterapeutas, dentistas e até os engenheiros que desenvolvem máquinas de pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP).

A pesquisa sobre o sono tem história longa. Nathaniel Kleitman publicou um dos primeiros e mais completos livros sobre sono em 1939, onde ele cita milhares de referências bibliográficas, datando muitas delas do século passado. Poucas das novas especialidades médicas têm um passado de criatividade comparável ao da pesquisa em sono.

A medicina do sono é nova. O primeiro centro de sono foi criado em Stanford, em 1970, para atender pacientes narcolépticos. A partir da década de 80, surgiram sociedades do sono em todo o mundo e apareceram periódicos dedicados ao sono. No Brasil, existem mais de 130 centros de sono localizados nas principais cidades.
A especialidade demonstrou seu caráter internacional e globalizado, em 1990, quando as sociedades americana, européia, australiana, japonesa e latino-americana, consultadas, opinaram e compuseram a Classificação Internacional dos Distúrbios do Sono. Nesse volume estão compilados 84 distúrbios do sono. O campo de atuação da especialidade está ali delimitado a partir de contribuições de médicos do mundo inteiro.

Em pouco mais de duas décadas assistimos ao nascimento de uma especialidade médica capaz de melhorar a qualidade de vida da humanidade. A tarefa maior ainda permanece por realizar. Falta agora esclarecer o público sobre o papel da medicina do sono para que se utilizem seus conhecimentos. Assim se fecha o circuito que inicia nos laboratórios de pesquisa e se encerra na cura do paciente.